Descrição da notícia
O vinho Duas Flores diz muito do que é este projeto de António Boal, que em parceria com o experimentado enólogo António Ventura está em plena segunda etapa do Costa Boal Family Estates – desde 2015, mais precisamente – depois dos primeiros cinco anos em que trabalhou com o enólogo Francisco Baptista.
Lote de Touriga Nacional do Douro e Alicante Bouschet de Trás-os-Montes, este vinho junta numa garrafa as “duas flores” deste jovem produtor de Mirandela, ou seja, duas das marcas que sustentam este prometedor projeto que assenta em três quintas durienses e uma transmontana: os vinhos Flor do Tua (marca para os vinhos de Trás-os-Montes) e os vinhos Flor do Côa (para os vinhos do Douro). Simples, claro e eficaz.
Este vinho de mesa com uvas provenientes das duas regiões – Touriga Nacional do Douro e Alicante Bouschet de Trás-os-Montes – selou o arranque da colaboração de António Ventura, enólogo com muitos anos de experiência em regiões como o Alentejo e Lisboa e formação enológica adquirida na Alemanha, na Austrália e em Portugal, com o produtor António Boal.
Mas, o projeto Costa Boal Family Estates vai muito para além das marcas e dos vinhos referidos, como constatou a reportagem da Revista de Vinhos em recente visita aos domínios vitivinícolas familiares que Boal recuperou e começou a ampliar no ano de 2010.

Depois de nos encontrarmos com António Boal em Vilar de Maçada fomos à adega de Cabêda, localizada na Quinta do Sobredo, concelho de Alijó, ali mesmo ao lado, primeira paragem de um périplo que nos levaria também a Mirandela e a terras de Murça, às vinhas de Porrais. É em Cabêda, na Quinta do Sobredo, com a preciosa ajuda do mestre adegueiro João Freitas, que António Boal vinifica os vinhos do Douro provenientes desta Quinta do Sobredo e também da Quinta Vale da Pia, em Porrais, concelho de Murça, e da Quinta do Vale Mouro, em Foz Côa, no Douro Superior.
“Peguei neste projeto e reconstruí isto, que eram terras e vinhas da minha família. Primeiro comecei com 10.000 litros. Foi em 2010. Agora já vamos com 50.000 litros, em que cerca de 90% disso corresponde a produção própria. E faço mais 130.000 garrafas em Trás-os-Montes”, sintetiza António Boal, revelando que já está a aumentar a área de vinha aqui em Alijó, uma consabida zona por excelência para vinhos brancos, com a aquisição de mais duas parcelas em Cabêda, onde já dispõe de 10 hectares de Moscatel Galego, Alvarinho, Viosinho, Gouveio, Arinto e, mais recentemente, Fernão Pires.
De seguida rumamos a Mirandela, onde Boal tem os escritórios centrais do projeto, faz engarrafamento e expedição e vinifica e estagia alguns dos vinhos mais estimulantes: os vinhos transmontanos da Quinta dos Távoras, berço de uns incríveis oito hectares de vinhas velhas de Alicante Bouschet, uma paisagem ondulante ao longo de um vale imenso em que sobressaem enormes “troncos” de videiras com dezenas de anos. “Sensivelmente 90% da minha produção em Trás-os-Montes é de vinhas velhas de Alicante Bouschet, embora tenha também dois hectares de Touriga Nacional e um pouco de Baga, com que tencionamos fazer um bom espumante dentro de três ou quatro anos”, explica-nos o jovem produtor para sublinhar que “todos os vinhos da Quinta dos Távoras são biológicos, até porque aqui temos muito calor, praticamente não há fungos”. É destes domínios que no final deste ano – “ou no Natal de 2019, logo veremos” – vai sair um vinho intencionalmente premium “que está nas barricas a estagiar”. Para já, podemos degustar o Palácio dos Távoras (lote de Alicante Bouschet com um pouco de Touriga Nacional que tem um PVP de 25,00€) e um varietal Alicante Bouschet (que custa um pouco mais, 35,00€).

“Aqui procuramos adotar uma filosofia de consistência e de risco ao mesmo tempo, aceitando sempre novos desafios, como seja o lançamento do Palácio dos Távoras Bastardo 2017, cerca de 2.000 garrafas de um vinho muito especial que estagia em barricas de segundo ano, que deve estar pronto para ser lançado antes do Natal deste ano e que terá um PVP a rondar os 20,00€”, revela António Boal, que nos proporcionou uma prova de casco do Bastardo transmontano que desde já antecipa a singularidade deste monocasta: um vinho com uma cor belíssima, vermelho-cereja muito aberto com rebordo violeta, um nariz ainda marcado pela madeira mas com notas frutadas intensas e uma nota química muito peculiar, que na prova de boca revela suavidade, frescura, bela acidez e elegância.
A nossa visita ao projeto Costa Boal Family Estates passaria ainda pelas terras altas de Murça, em Porrais, onde nos sete hectares da Quinta Vale da Pia existe vinha velha de Códega do Larinho e Rabigato, que proporciona vinhos brancos com alguma complexidade.
Uma referência ainda à Quinta do Vale Mouro, em Foz Côa, onde António Boal dispõe de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão. A breve prazo vai ser lançado o Flor do Côa Reserva 2015. Para já estão no mercado o Flor do Côa Reserva Especial 2011 (30,00€) e o Flor do Côa Grande Reserva 2014 (18,00€).
E, como nem poderia deixar de ser, este projeto passa também pelo Vinho do Porto. Depois do lançamento do primeiro Vintage em 2014, a Costa Boal Family Estates vai lançar um Tawny com mais de 40 Anos, graças aos 1.200 litros de vinhos do Porto antigos que António Boal herdou dos avós.
Na forja está igualmente uma aguardente velha com a destilação de subprodutos do vinho.
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Palácio dos Távoras Alicante Bouschet 2015
Trás-os-Montes / Tinto / Costa Boal Family Estates
Rubi. Nariz sedutor e complexo. Amora e ameixa, também frutos silvestres maduros. Notas de tomilho fresco e alecrim. Especiarias (toque de pimenta branca). Na boca é enorme, com taninos poderosos. Acidez fantástica. Final longo e persistente. Grande vinho. LC
Consumo: 2018-2030
35,00 € / 16ºC
17,5
Palácio dos Távoras Grande Reserva 2013
Trás-os-Montes / Tinto / Costa Boal Family Estates
Rubi intenso. Aromas com alguma exuberância, em que sobressai a fruta preta e azul (amoras e mirtilo maduro). A boca é fresca e elegante, com acidez no ponto, taninos a prometer boa evolução, grande equilíbrio e final persistente. LC
Consumo: 2018-2025
25,00€ / 16ºC
17,5
Palácio dos Távoras Grande Reserva 2011
Trás-Os-Montes / Tinto / Costa Boal Family Estates
Granada. Aromas marcados pela forte componente mineral, fruta silvestre madura, folha de tabaco, esteva e pimenta preta. Na boca mostra-se elegante, com taninos finos, imensa frescura e bela acidez. LC
Consumo: 2018-2025
25,00 € / 16ºC
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Palácio dos Távoras Grande Reserva 2014
Trás-os-Montes / Tinto / Costa Boal Family Estates
Rubi. Nariz com alguma complexidade, aromas de fruta vermelha madura, ligeira nota química, vegetação rasteira. Na boca é vigoroso, envolvente, jovem e fresco, com imenso volume. LC
Consumo: 2018-2024
PVP 25,00 € / 16ºC
16,5
Palácio dos Távoras Grande Reserva 2012
Trás-os-Montes / Tinto / Costa Boal Family Estates
Vermelho, laivos acastanhados. Nariz em que domina a fruta vermelha madura e uma nota de verniz. Boca redonda, evidencia taninos polidos e evolução mais acelerada do que o vinho congénere de 2011. Mas mantém perfil de frescura e elegância, embora menos complexo. LC
Consumo: 2018-2022
25,00€ / 16ºC
Trabalho originalmente publicado na edição 340 (Março de 2018) da Revista de Vinhos.