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Minho português e Minho galego por Bento Amaral

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Fotógrafo: Arquivo

Autor: Luís Alves

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Descrição da notícia

Um duelo benigno entre Portugal e Espanha no domínio dos vinhos, com referências de ambos os lados da fronteira. Eis o resumo de uma formação ministrada por Bento Amaral no ciclo de Masterclass sobre Regiões Internacionais de Vinhos, a decorrer na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, no Porto, até 18 de abril.

 

A globalização tem acontecido a diferentes ritmos em diferentes setores. Este fenómeno tem tido resultados positivos, sobretudo para o consumidor que vê alargada em grande escala o seu leque de opções. O vinho não é, naturalmente, uma exceção e a possibilidade de adquirir vinhos que não apenas de produção nacional é, hoje mais do ontem, uma realidade.

Urge, por isso, estar munido de ferramentas e conhecimento que permitam destrinçar, tal como já fazíamos nos vinhos nacionais. A pensar nisso, a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, no Porto, tem a decorrer um Ciclo de MasterClasses sobre Regiões Internacionais de Vinhos.

Uma das sessões já realizadas, ainda que internacional, foi na verdade um “duelo” entre vizinhos muito próximos. “Vinhos Verdes vs. Rias Baixas”, ministrada por Bento Amaral, permitiu colocar na balança duas regiões que apesar da proximidade geográfica têm diferenças com alguma relevância. Desde logo, por exemplo, e ainda no que à viticultura diz respeito, nas produtividades alcançadas. A região das Rias Baixas, com uma área significativamente mais reduzida, consegue, por exemplo, ter uma produtividade por hectare superior.

As diferenças de pluviosidade, ainda que existam grandes variações dentro da própria região - sobretudo no caso dos Vinhos Verdes – são também assinaláveis. As médias cifram-se nos 1200 mm no caso português e 1600 mm no caso espanhol.
O set de vinhos para esta sessão tinha, naturalmente, exemplos de ambas as regiões em estudo e de castas diversas. A representar Portugal estiveram presentes:

- Covela Arinto 2021;
- Quinta das Fontes Loureiro 2017;
- Covela Avesso 2021;
- Palácio da Brejoeira Alvarinho;
- Muros de Melgaço 2022.

Já a representar os vizinhos espanhóis, o alinhamento foi este:

- Pedraneira 2021;
- Santiago Ruiz 2022;
- Pazo Pondal 2018.

Do lado português, destaque, por exemplo para o perfil clássico do Palácio de Brejoeira Alvarinho, a cumprir aquilo que muitos reconhecem nos vinhos produzidos a partir desta casta. Ou ainda o Muros de Melgaço 2022, produzido pelo enólogo Anselmo Mendes, que mostra simultaneamente complexidade e estrutura, com a madeira do estágio bem integrada.

Já do lado espanhol, da sub-região O Rosal, destaque para o Santiago Ruiz 2022, produtor considerado o “pai” do Alvarinho por ter sido o primeiro a engarrafar e a comercializar vinhos galegos a partir desta casta.

No final, apesar de não se tratar de uma masterclass em torno de uma casta apenas – ainda que o Alvarinho tem tido um lugar de relevo - é de sublinhar a multiplicidade de perfis e a confirmação de uma tese que tem feito um caminho sólido nos últimos anos: os vinhos destes territórios podem ser consumidos pouco tempo após a vinificação mas também são capazes, em alguns casos, de ombrear com referências engarrafadas há vários anos, mostrando vivacidade, nervo e uma evolução que merece um aplauso.

A programação deste ciclo de masterclasses, sempre com diferentes temas e coordenado por José António Couto, pode ser consultado AQUI, assim como todas as informações relevantes e respetivas inscrições.