Descrição da notícia
Um inquérito recente sobre a utilização de castas PIWI (resistentes a doenças) na produção de vinho em Portugal indica uma perceção favorável à sua introdução. Os resultados, que refletem preferências também notadas numa prova comparativa com 20 enólogos independentes realizada a 6 de março, na Quinta da Plansel, em Montemor-o-Novo, sugerem um caminho aberto para a discussão.
Os dados mais significativos do inquérito anónimo revelam que 93% dos inquiridos concordam que Portugal deve permitir a utilização de castas PIWI. Questionados sobre o âmbito dessa utilização, caso fossem autorizadas em regime experimental, 49% defenderam que deveriam ser usadas "para qualquer tipo de vinho incluindo DOP". Relativamente à atuação da entidade reguladora (IVV) perante um pedido de autorização para uma nova casta PIWI inscrita no catálogo nacional, as opiniões dividiram-se: 50% consideram que se deve "Autorizar com restrição", enquanto 43% optariam por "Autorizar sem restrições".
Jorge Bohm, da Plansael, refere que as conclusões "do estudo apontam que a perceção em Portugal acompanha a de países como Alemanha, França e Itália, onde as castas PIWI têm vindo a ganhar terreno. Portugal poderia beneficiar de uma estratégia concertada entre os setores profissional, científico e administrativo para ultrapassar o "tabu" em torno das castas resistentes. Esta abordagem poderia não só impulsionar um futuro mais sustentável para os vinhos portugueses, alinhado com os desafios climáticos e ecológicos, mas também aumentar a competitividade da marca "Vinho de Portugal", com um potencial de redução de custos estimado em cerca de 20%", acredita Jorge Bohm.