Fotógrafo: Fabrice Demoulin
DESCRIÇÃO
A Herdade do Sobroso situa-se a 9 km da barragem do Alqueva. A norte é delimitada pelo Mendro (começando na Aldeia do Alqueva), a nascente, pelo Guadiana, e a sul, até onde a vista alcança, o cenário oferece as mais bonitas planícies. São 1.600 hectares de natureza, dos quais uma ínfima parte tem construção e apenas 60ha têm vinha. Ou seja, é uma paisagem limpa, completamente livre de presença humana. A propriedade foi comprada em 2000, com o monte em ruínas e as terras em estado de total abandono. Tratando-se de um investimento familiar, o pai de Sofia, arquiteto, recuperou todas as ruínas, transformando-as em hotel (11 quartos e restaurante) e numa adega.

Sofia, engenheira zootécnica de formação, encontrou uma forma de viver que a preenche de corpo e alma e Filipe Teixeira Pinto, o marido, enólogo que conheceu nos tempos da universidade, assina os vinhos produzidos na herdade.
O Sobroso desenvolve turismo rural, cinegético e enoturismo. A vasta propriedade, com zonas montanhosas, planície, um braço do Guadiana, penínsulas, lagos e vinhas, tem um conjunto precioso de animais selvagens, veados, gamos, muflões, javalis, inúmeras espécies de pato-real e várias outras aves. As atividades vão desde o “birdwatching”, aos passeios de balão e de bicicleta, aos caiaques, aos safaris fotográficos, às provas de vinhos, às vindimas e passeios pelas vinhas, aos piqueniques. Quanto ao restaurante, o trunfo secreto do Sobroso chama-se D. Josefina e é imperioso não perder as refeições que saem daquelas mãos.
Ao projeto vitivinícola da Herdade do Sobroso juntou-se, ainda, o enólogo Luís Duarte. Em 2001 são plantadas as vinhas e as castas tintas escolhidas são Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Cabernet Sauvignon e Syrah, sendo uma aposta mais recente a Touriga Nacional, a Touriga Franca e o Petit Verdot. Nas brancas, vamos encontrar Antão Vaz, Alvarinho, Arinto, Verdelho e Perrum. A herdade está integrada no “Plano de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo” e qualquer atividade desenvolvida no Sobroso tem por base o respeito pelo lugar.
Das vantagens ou diferenças da Vidigueira, Filipe destaca a orografia muito particular, condicionada pela serra. Os solos de argila pobre e xisto férreo são outro elemento diferenciador e, quanto às variedades de uva, as brancas indígenas são, também aqui, enaltecidas. Ao Antão Vaz é reconhecida a capacidade de defesa do calor, na vinha, e o enorme potencial para vinhos de qualidade, com capacidade de evolução, sendo usado estreme ou como base nos vinhos de lote. Também a Perrum tem lugar, estando a ser recuperado o interesse por esta casta esquecida.
Começamos por conhecer o Antão Vaz Barrique Select 2016. Este vinho fermenta 50% em inox e 50% em pipos de 500 litros de carvalho francês (usados), com bâttonage. É um vinho muito focado na fruta e na acidez, com a boca ligeiramente vegetal, que lhe dá um contraponto muito interessante. Depois, mais um branco, Cellar Selection 2016, um lote de Antão Vaz e Alvarinho. Todo o processo de fermentação é idêntico ao vinho anterior (inox e carvalho usado), tendo sido o Alvarinho fermentado a uma temperatura mais baixa para conseguir um perfil de maior frescura para o vinho. Tem também um carácter focado na fruta, mas sentem-se mais os fumados e a tosta (tem três meses de madeira), com um final muito forte de sílex.
Por fim, foi-nos apresentada uma das medalhas “Grande Ouro” do “Concurso dos Vinhos de Portugal” deste ano, o tinto Cellar Selection 2014. O lote tem Syrah e Alicante Bouschet, tendo estagiado um ano em carvalho francês, uma parte novo, a maioria de segundo ano. Para este vinho, as uvas são escolhidas criteriosamente e a produção ronda as 9.000 garrafas. É um vinho com um perfil aromático muito particular, com notas abertas (o Francisco chama-lhe “guloso”) e fruta madura. É todo ele muito equilibrado, não se sente calor em demasia, mas tem um peso próprio bem marcante. Sem dúvida, a lembrar-nos que o vinho e a mesa formam um conjunto irresistível e que a presença da D. Josefa na Herdade do Sobroso é uma expressão de absoluto bom gosto.
17
Herdade do Sobroso Cellar Selection 2016
Alentejo / Branco / Herdade do Sobroso
Cor palha clara. O nariz tem fruta e frescura, alguma tosta e muita elegância. Na boca, apresenta-se denso e cremoso, com notas fumadas, fruta fresca e ligeira pimenta branca. Tem acidez elevada, terminando longo e incisivo, com notas de sílex. É um branco de grande intensidade e “finesse”. CL
Consumo: 2017-2020
18,00 € / 11ºC
17
Herdade do Sobroso Cellar Selection 2014
Alentejo / Tinto / Herdade do Sobroso
Rubi. Tem um carácter muito particular, com nariz de fruta madura bastante franco. É um vinho empático, com taninos suaves mas texturados. Todo o vinho está muito harmonioso, com estrutura, acidez, intensidade e algumas notas mais verdes no final que lhe dão frescura. Um grande vinho para a mesa. CL
Consumo: 2017-2022
20,00 € / 12ºC
16
Herdade do Sobroso Barrique Select 2016
Alentejo / Branco / Herdade do Sobroso
De cor citrina, tem um nariz muito limpo, focado na fruta tropical, com notas de ananás bem presentes. A boca é inteiramente dominada pela frescura, com uma acidez precisa e vibrante. Muito pouco marcado pela madeira, tem volume, algumas notas de limão e um certo lado vegetal. É um vinho alegre. CL
Consumo: 2017-2020
10,00 € / 11ºC
TEXTO Célia Lourenço