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Grupo Mello junta Côtto, Teixeiró e Krohn à Ravasqueira

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Fotógrafo: Fotos D.R.

Autor: Redação

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É um dos negócios do ano, que comprova o momento de consolidação de empresas e marcas que o setor português dos vinhos atravessa. O Grupo José de Mello anunciou esta terça-feira a constituição de uma nova plataforma de negócios, a WineStone, que passará a gerir os ativos da Quinta do Côtto e Quinta do Retiro Novo, no Douro, Paço de Teixeiró, nos Vinhos Verdes, e a Krohn, no Vinho do Porto. A alentejana Ravasqueira, desde 1943 na posse dos Mello, completa o atual portefólio que, sabe a Revista de Vinhos, conhecerá a curto prazo outros nomes.

O anúncio da constituição da holding foi realizado em Conferência de Imprensa e reforçado em Comunicado enviado aos Media, com o Grupo José de Mello a salientar o objetivo de posicionar-se no top 3 da liderança do setor em Portugal.

A Quinta do Côtto está ligada à família Champalimaud desde 1761, data em que Paul Joseph Champalimaud, engenheiro e oficial francês, chega ao nosso país ao serviço da coroa portuguesa. O seu filho, General José Joaquim Champalimaud de Sousa Lyra e Castro de Barbosa, viria a distinguir-se durante as invasões napoleónicas, sendo que a relação com a família Montez surge em 1824, data do casamento da filha do general com o Senhor do Côtto, João Baptista de Araújo Cabral Montez, Morgado de Cidadelhe. Mas a história das duas quintas na família Montez é mais antiga, com registos que datam do século XIV. 

Detendo 76 hectares de vinha em Mesão Frio, a Quinta do Côtto é célebre por ter sido precursora na produção de vinho do Douro, fruto da inventividade e determinação de Miguel Champalimaud. Tem no Grande Escolha o vinho mais icónico, lançado pela primeira vez em 1980, sinónimo de vinhos longevos e álcool moderado. Já sob a gestão do filho, Miguel Mendia Champalimaud, estava o potencial desenvolvimento de um projeto de enoturismo, cujo solar com 1700 m2 oferece condições ímpares para o efeito. O negócio tem ainda a curiosidade de marcar o regresso do enólogo David Baverstock ao Douro, ele que foi responsável pelos primeiros vinhos da Quinta do Crasto, ainda no final dos anos 90.

No concelho vizinho de Baião, mas localizado na região dos Vinhos Verdes, o Paço de Teixeiró viu o primeiro vinho engarrafado em 1982. Situada numa zona charneira entre as duas referidas regiões, com a Serra do Marão a estabelecer essa barreira física, a propriedade reúne 8 ha de vinha, com vinhas velhas plantadas no início da década de 80, a 400 metros, sendo que 80% é composta pela casta Avesso e também algum Loureiro. Aqui, o perfil dos solos foge um pouco à regra do que são os Vinhos Verdes, pois trata-se de uma zona de xisto em encosta, na qual as cepas não têm tanto acesso a água e nutrientes, pelo que dão origem a produções mais moderadas. Gera portanto vinhos mais reservados e sérios, revelando potencial de garrafa.

A Krohn,fundada em 1865 por dois noruegueses, Theodor Wiese e Dankert Krohn, estabelecendo a relação comercial entre as trocas de vinhos e bacalhau, constituiu reputação e stocks graças sobretudo aos Portos Colheita. Em 2013, a The Fladgate Partnership, detentora marcas de como a Taylor’s, Fonseca e Croft, adquiriu a empresa familiar Wiese & Krohn. Recorde-se que a Krohn é igualmente proprietária da Quinta do Retiro Novo em Sarzedinho, no vale do Rio Torto.