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Apesar do impacto gerado pela pandemia de Covid-19 no mercado global, os vinhos portugueses continuam numa tendência de crescimento das exportações, que levará a que em 2020 se atinja um valor recorde de exportações de vinho. Atendendo a que nos últimos três anos o último trimestre costuma ser o melhor período para as vendas de vinhos, valendo exportações sempre superiores a 240 milhões de euros, existe a expectativa que seja ultrapassado o valor de 2019, que se cifrou em 820 milhões de euros.
Para o desempenho positivo registado este ano contribuiu bastante o comportamento dos países terceiros fora do espaço da União Europeia, que estão a ter um crescimento de 21,6%, representando 317,5 milhões de euros. Em destaque está o Brasil, que subiu 21,5% para 46,3 milhões de euros em exportações, e que só desde janeiro deste ano cresceu mais de oito milhões de euros. Os Estados Unidos da América, com um crescimento de 7,6% para 70,5 milhões de euros, e o Canadá, com um acréscimo de 5% para 37,2 milhões de euros, são outros dois mercados em evidência. Nota ainda para o Reino Unido, que regista um crescimento de 4,1%, representando 52 milhões de euros de exportações. Trajetória oposta teve Angola, com uma quebra de 27% para 19,3 milhões de euros, e a China, com uma redução de 35,8% para 8,5 milhões de euros.
Comportamento distinto registou-se de uma forma geral na Europa, num sinal do impacto que a pandemia de Covid-19 está a ter na economia, que conduz a uma queda de 13,5% para 272 milhões de euros de exportações. Neste particular, merece nota o facto de as exportações para França caírem 5,4% para 77,8 milhões de euros, o que equivalente a menos 4,4 milhões de euros do que no período homólogo em 2019. A quebra na Alemanha é de 4,7% para 34,7 milhões de euros, menos 1,7 milhões de euros do que em 2019.
A Escandinávia acabou por ter um comportamento em contraciclo com o que foi registado no restante mercado europeu. Destaque para os desempenhos muito positivos da Suécia, com um crescimento de 41% correspondente a 21,6 milhões de euros, Noruega, a subir 40% para 10,3 milhões de euros, e Finlândia, com um aumento de 50,5% para oito milhões de euros.
Para Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal, os resultados dados a conhecer são reflexo da qualidade dos vinhos portugueses e da capacidade de resiliência dos produtores. “Num ano atípico como tem sido 2020, é um sinal muito positivo as exportações dos vinhos portugueses estarem a crescer e a oferecer perspetivas de voltar a bater o recorde das exportações em valor. Podemos dizer que o esforço conjunto feito por todos os agentes da fileira do vinho ao longo dos últimos anos, com uma aposta muito clara na qualidade do produto e na promoção internacional e na abertura de novos mercados, está a dar resultados positivos, em particular num ano com tantas incertezas e restrições”.
Em termos globais, em 2019, Portugal ocupou a 9.ª posição no top-10 dos maiores exportadores mundiais de vinho. Neste ranking, liderado pela França, Portugal está posicionado, em valor, atrás da Alemanha e à frente da Argentina. Em volume, Portugal ocupa a mesma posição, ficando atrás da África do Sul, mas supera a Argentina e a Nova Zelândia.
Em 2021, a ViniPortugal pretende investir 7,15 milhões de euros na promoção internacional, o que constitui um dos maiores investimentos em marketing na sua história. O plano para o próximo ano prevê a realização de 111 ações em 21 mercados, envolvendo mais de 350 agentes económicos, nomeadamente a participação nas grandes feiras internacionais do sector, a realização de provas, masterclasses e jantares vínicos para dar conhecer os vinhos portugueses junto de importadores, sommeliers, influenciadores, media e outros profissionais do sector. Em perspetiva está a conciliação de ações presenciais com eventos em formato online.
Para além dos mercados tradicionais de exportação de vinho, caso dos Estados Unidos, Canadá, Brasil, Reino Unido, França e Alemanha, em 2021 a ViniPortugal pretende também investir em novos mercados, com ações promocionais na Bélgica, Dinamarca, Ucrânia e México. A China, apesar da queda em 2020, continua a ser um mercado estratégico para os vinhos portugueses. O caminho passa por alargar a presença a novas cidades no mercado chinês, dando a conhecer a qualidade e diversidade dos vinhos portugueses a mais consumidores.
“A estratégia da ViniPortugal ao longo dos últimos anos tem passado por diversificar mercados e por desenvolver um trabalho sustentado na abertura de novos mercados. Em 2021, vamos prosseguir esse caminho, com a convicção de que a trajetória de crescimento das exportações terá de continuar com uma postura competitiva no mercado, apostando em saber vender bem, em valorizar a qualidade do nosso produto de modo a conseguirmos aumentar o preço médio. Estamos confiantes e desejosos de voltar a ter oportunidade de dar a conhecer a qualidade dos nossos vinhos presencialmente, assim que estejam reunidas todas as condições para o fazer”, afirma Frederico Falcão.
Promovido anualmente pela ViniPortugal, o Fórum Vinhos de Portugal pretende ser um momento de análise e de debate sobre a realidade do sector vitivinícola nacional, com o contributo de entidades reguladoras e de promoção, produtores e convidados de áreas relevantes, e o palco para a apresentação da estratégia de promoção nacional e internacional dos Vinhos Portugueses para o ano seguinte.