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Caves São João mudam de mãos

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Fotógrafo: Fabrice Demoulin

Autor: José João Santos

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Descrição da notícia

As centenárias Caves São João têm novos proprietários. Fernando Sapinho, Nuno Ramos e Paulo Morgado, empresários ligados ao setor imobiliário, figuram no grupo de investidores que passa a deter mais de 90% das caves bairradinas e que inclui ainda Mário Vigário e Enrique Castiblanques. O restante capital permanece com dois elementos da família fundadora – Rita Palma e o pai.

 

 

Ao que a Revista de Vinhos apurou, o negócio ficou fechado em finais de fevereiro, culminando um processo de auscultação de propostas, que teve outros interessados para lá dos empresários acima mencionados. Aliás, nos anos mais recentes, as Caves São João estiveram para ser vendidas por mais do que uma ocasião, em tentativas de negócio que, por diferentes razões, acabariam por nunca se concretizar por entre uma complexa teia familiar de 16 sócios (nenhum dos quais integra esta nova administração). 

Célia Alves, na estrutura desde 2004, irá manter-se como gerente a nível técnico, José Carvalheira como enólogo e António Selas como viticultor.

Consolidar o projeto empresarial, os stocks de vinhos e o património, preservar e potenciar o historial de marcas icónicas como os Frei João, Porta dos Cavaleiros ou Quinta do Poço do Lobo, são objetivos da nova administração.

Fundadas em 1920 por três irmãos – José, Manuel e Albano Costa –, as caves começaram por se dedicar ao comércio de vinhos finos do Douro e licores. Chegados aos anos 30, a filosofia teve que se alterar, uma vez que deixou de ser possível a elaboração de Vinhos do Porto fora dos armazéns de Vila Nova de Gaia. É aí que a empresa decide voltar-se para os vinhos da Bairrada, iniciando igualmente a produção de espumantes pelo método champanhês (segunda fermentação em garrafa), metodologia para a qual muito contribuiu o enólogo francês Gaston Mennesson.

A partir de São João da Azenha, aquela que é a empresa familiar mais antiga ainda em atividade do concelho da Anadia iniciava a exportação para as colónias portuguesas em África e para o Brasil. No pós II Guerra Mundial, nos anos 50, surgiu o emblemático Frei João e no vizinho Dão, anos volvidos, o incontornável Porta dos Cavaleiros. Os Reserva aportaram uma inovação, o uso de rótulos de papel revestidos a cortiça natural.

Na linha temporal seguiu-se a aquisição da Quinta do Poço do Lobo, na freguesia da Pocariça, Cantanhede, onde pela primeira vez na região foi experimentada a calda bordalesa (preparado para combater os fungos na vinha). A propriedade, que entretanto se afirmou como um dos esteios da Bairrada, espraia-se por 37 hectares, 29 dos quais são vinhas. É o brinco da viticultura das caves, que ali decidiram plantar, segmentadas em parcelas, castas brancas como Arinto, Cerceal, Chardonnay ou Sémmilon e tintas como a Baga, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Pinot Noir, Sousão, Syrah ou Touriga Nacional.

Hoje, as agora centenárias Caves São João estão a produzir uma média de 400.000 garrafas anuais, 40% espumantes. Além da Quinta do Poço do Lobo operam com uma dúzia de viticultores e exportam 30% da produção para mercados como os EUA, Brasil, Macau, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Bélgica, entre outros.  O volume de negócios atual ronda 1,5 milhões de euros/ano.