Autor: Célia Lourenço
DESCRIÇÃO
A Sogrape Vinhos acaba de lançar as novas colheitas de Grão Vasco. A Tasca da Esquina, do chefe Vítor Sobral, em Lisboa, foi o restaurante escolhido para dar a conhecer à imprensa os vinhos de 2016 e percorrer um pouco da história desse rótulo que completou já 60 vindimas.
Os anfitriões, João Gomes da Silva, administrador da Sogrape Vinhos, Beatriz Cabral de Almeida e António Braga, enólogos, começaram com uma prova de Grão Vasco de várias idades. Beatriz, a responsável por toda a produção no Dão, descobriu o potencial destes vinhos quando, em 2012, acompanhou Manuel Vieira (o então enólogo da Quinta de Carvalhais) no re-rolhamento de colheitas antigas. Nesse momento, teve oportunidade de descobrir o quão bonitos estavam os vinhos e é já a segunda vez que promove a partilha do que considerou tão especial.
Primeiro, em fevereiro, durante o evento Essência do Vinho – Porto. Agora em Lisboa, com seis referências: brancos de 1981, 1983 e 1992, e tintos de 1977, 1991 e 2006. Encontramos uma vivacidade transversal e, se quisermos sintetizar os estilos, diríamos que os brancos se destacam pela frescura e carácter seco, enquanto nos tintos é a textura que os distingue. Todos Grão Vasco – vinhos de entrada de gama, sem madeira, cujo objetivo era desfrutar da juventude, sem pretensões ou elevação. Nesta prova rara (as quantidades das garrafas antigas são diminutas), conhecemos o que o tempo esculpiu – vinhos despretensiosos quando novos, mantêm uma vida muito saudável e uma certa altivez quando grisalhos, em grande forma para uma refeição.
A Sogrape Vinhos considerou ser a altura certa para fazer mudanças e revitalizar uma marca que surgiu em 1958 com a compra a Sociedade Vinícola do Super Dão. A nova garrafa aproxima os Grão Vasco da Quinta dos Carvalhais, e o rótulo, mais moderno, exibe a palavra “Carvalhais”, mantendo a reprodução do “São Pedro” de Vasco Fernandes (Grão Vasco, pintor quinhentista português).
Os vinhos de 2016 pretendem continuar a tradição de uma marca incontornável no Dão. Continuam a usar as castas da região: Encruzado, Malvasia Fina, Bical e Gouveio, nos brancos; Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen, nos tintos. Com um PVP recomendado de 3,49€, são vinhos versáteis e limpos, que continuam a não ter madeira e que expressam uma identidade comprovada pelas colheitas mais antigas. O branco (400.000 garrafas) é frutado e fresco, com grande definição de aromas. O tinto (900.000 garrafas), demonstra uma fruta muito alegre, transmitindo uma suavidade e equilíbrio que denunciam sensibilidade de enologia.
O Grão Vasco surge, assim, renovado, procurando a Sogrape Vinhos transmitir um novo Dão aos consumidores atuais, mais informados e exigentes.
Grão Vasco 2016
Dão / Tinto / Sogrape Vinhos
Cor rubi viva. O aroma é muito frutado, limpo e descontraído. A boca transmite grande limpidez e equilíbrio, é macia, com corpo médio e bom recorte de fruta fresca. Termina fresco e alegre, com vivacidade. CL
Consumo: 2017-2020
3,49 € / 16ºC
Grão Vasco 2016
Dão / Branco / Sogrape Vinhos
Amarelo citrino. É um vinho muito aromático, com foco nas notas tropicais e de limão. De fácil empatia, a boca é suave, com acidez evidente, muito frutada, jovem e direta. Um ótimo branco para o verão. CL
Consumo: 2017-2019
3,49 € / 11ºC