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Vinhos Verdes celebram 115 anos

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Fotógrafo: Arquivo

Autor: Marc Barros

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Descrição da notícia

Debate na Casa do Vinho Verde anteviu futuro e novas tendências, como a preservação do património cultural, genético e paisagístico, o reforço da aposta nos tintos e a sustentabilidade.

 

As comemorações dos 115 anos da demarcação da região dos Vinhos Verdes tiveram entre os pontos altos um debate que reuniu, na Casa do Vinho Verde, o historiador Gonçalo Marques à arquiteta paisagista Teresa Andresen e ao microbiólogo e enólogo Virgílio Loureiro. A conversa incidiu sobre o passado e o futuro da região, tendo sido referido que esta é “a única no mundo a não estar ligada a uma toponímia”, mas antes a um tipo de vinho, o que revela um sistema de agricultura e um património inigualáveis.
Dora Simões, presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), deu conta de alguns desafios que a região enfrenta, com ênfase particular nas questões da sustentabilidade. Nesse sentido, está a ser desenvolvido um trabalho, ao nível da Comissão, que pretende transformar a Estação Vitivinícola Amândio Galhano num ‘farol’, capaz de apresentar as melhores práticas ao nível da vitivinicultura, acessíveis a todos os operadores da região.
Recorde-se que a região dos Vinhos Verdes certificou, em 2022, 76 milhões de litros de vinhos, dos quais cerca de 35 milhões de litros foram exportados, num volume de vendas que representou 85 milhões de euros. Já este ano, no período entre janeiro e agosto, as exportações de Vinhos Verdes cresceram 9,8% em volume, 13,2% em valor e 3,1% no preço médio por litro vendido, cifrando-se nos 2,62 euros.
No mercado interno, o consumo de Vinhos Verdes tem crescido sustentadamente nos últimos anos, em volume, valor e preço médio. Segundo dados Nielsen, já no primeiro semestre do ano, apesar das vendas no conjunto distribuição e restauração terem decrescido ligeiramente face a igual período de 2022 (9.105.989 milhões de litros, contra 9.427.454 do primeiro semestre de 2022), as vendas cresceram 9,7% em valor e 13,6% no preço médio por litro vendido (5,63 euros contra 4,95 euros em 2022). Ainda segundo dados Nielsen, em 2022, as vendas dos vinhos desta região cifraram-se em 60 milhões de euros (20 milhões de litros) na grande distribuição, em 2022. Na restauração, a região vendeu cerca de seis milhões de litros que representaram 55 milhões de euros.

Uma região ímpar

O debate que teve lugar na Casa do Vinho Verde aludiu a temas tão díspares como a história e as origens da região, tendo sido recordado que foi em Viana do Castelo que se instalou a primeira feitoria inglesa para exportações de vinhos para o Reino Unido, ainda antes da demarcação do Douro Vinhateiro, em 1756.
Sistemas ancestrais de condução da vinha, como o tradicional enforcado, ou os arjões e festões – e mesmo sistemas mais recentes, como a cruzeta -, agora em desaparecimento, práticas culturais de preservação da saúde dos solos e da biodiversidade, valorização dos vinhos e do património genético, entre outros, foram temas amplamente debatidos na sessão. E se alguns tópicos geraram alguma controvérsia, num aspeto verificou-se a unanimidade – a necessidade de reforçar a aposta nos vinhos tintos.
Demarcada a 18 de Setembro de 1908, a Região dos Vinhos Verdes, a maior de Portugal em termos geográficos, estende-se por todo o noroeste de Portugal, na zona tradicionalmente conhecida como Entre Douro e Minho – mas que Virgílio Loureiro classificou como “Entre Douro e Vouga”.
A região é usualmente apresentada como um anfiteatro que se abre e eleva a partir da orla marítima para o interior, expondo-se à influência do oceano Atlântico pela orientação dos vales dos principais rios, ditando a definição de nove sub-regiões: Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção e Melgaço, Paiva e Sousa. Representa cerca de 15% do total da área vitícola nacional, num total que ascende a cerca de 25.000 hectares.