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Selo “Fire Wine” apoia prevenção de incêndios

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Fotógrafo: Fotos D.R.

Autor: Redação

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O Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO) aprovou a criação das marcas ‘Fire Wine Resilient Landscape’ e ‘Fire Product Resilient Landscape’ para certificar produtores e viticultores da UE que dinamizem estratégias de gestão dos solos e culturas enquanto “corta fogos produtivos”.

Este modelo coloca determinados requisitos de gestão e de localização para que as culturas atuem como barreiras naturais e produtivas contra incêndios. As parcelas agricultadas “representam descontinuidades horizontais de combustível” que “mitigam a propagação do fogo se limpos no verão”, mantendo “pouco combustível fino disponível” e “heterogeneidade”. Ao mesmo tempo, “não existe reconhecimento social, económico ou institucional do serviço ecossistémico de regulação do risco de incêndios florestais”.

A marca certificará o valor agregado proporcionado por agricultores, produtores e processadores envolvidos na gestão de vinhas e outras culturas para reduzir o risco de propagação de incêndios, por forma a tornar este esforço visível e identificável ​​para o consumidor final.

Os produtores e viticultores que pretendam obter o selo deverão observar uma série de requisitos que garantam a contribuição para a manutenção de uma paisagem mais bem preparada para o risco de grandes incêndios florestais. Desde logo, culturas instaladas “em paisagem dominada por floresta, onde as parcelas cultivadas desempenham um papel importante na gestão do risco de incêndio ao quebrar a continuidade florestal”.

Para obter os selos distintivos das marcas, as explorações agrícolas devem cumprir uma série de requisitos relacionados com a extensão das áreas cultivadas, a sua localização estratégica para impedir a propagação do fogo, devendo estas áreas ser adjacentes a zonas florestais ou intercaladas entre maciços florestais e zonas urbanas ou infraestruturas essenciais, vias de comunicação e torres de comunicação.

Entre os requisitos mínimos contam-se a manutenção de “campos cultivados ativos adjacentes à floresta”; a redução do combustível “nas áreas que fazem fronteira com a floresta até o final da primavera”; “manter a vegetação na faixa adjacente à floresta o mais baixa possível durante a temporada de incêndios” ou; “o compromisso de disponibilizar a parcela aos bombeiros para manobras durante incêndios”, entre outras. No caso de agricultura agroecológica ou biodinâmica, ou medidas agroambientais que mantenham a cobertura vegetal entrelinhas (para a biodiversidade), o proponente deve estabelecer “uma metodologia específica para limitar a propagação do fogo ao longo do perímetro das parcelas ou da propriedade alvo durante a época de incêndios”.

O objetivo das marcas Fire Wine Resilient Landscape e Fire Product Resilient Landscape, registadas em toda a União Europeia, é informar os consumidores finais, através de um selo distintivo, sobre o compromisso dos produtores participantes com a melhoria da gestão do território para a criação de paisagens em mosaico mais bem preservadas.

A Fire Wine Resilient Landscape destina-se especificamente à cadeia de valor do vinho, enquanto a Fire Product Resilient Landscape centra-se noutros produtos primários, como o azeite, a fruta ou as hortícolas.

Além disso, contempla-se a possibilidade de adesão de grupos às marcas, seja através de Denominações de Origem, associações de viticultores e outros produtores.

A iniciativa faz parte do projeto Fire-Res, que se concentra na inovação tecnológica e em soluções socioecológicas e económicas para territórios resilientes na Europa. Este projeto, uma das iniciativas para a prevenção de grandes incêndios florestais promovidas pela Comissão Europeia no âmbito do programa europeu Horizonte 2020, é coordenado pelo Centro de Ciência e Tecnologia Florestal da Catalunha.

Recentemente, a própria Comissão Europeia reconheceu que a produção de vinho está profundamente enraizada na identidade cultural e na economia rural da Europa, mas também está a emergir como uma aliada inesperada na prevenção de incêndios florestais. “Com uma gestão responsável, as vinhas podem ajudar a reduzir a propagação de incêndios florestais e a proteger as paisagens, as comunidades e o património da Europa”.