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A Revista de Vinhos teve acesso ao discurso que Manuel Pinheiro proferiu no Conselho Geral da CVRVV de 16 de dezembro, no qual refere os motivos que o levam a não se recandidatar à liderança da estrutura (os próximos órgãos sociais liderarão a CVR no triénio 2022-2024).
“O Conselho Geral tem-se focado ao longo das últimas semanas nesta alteração dos estatutos, nas questões mais relacionadas com o exercício do poder e com a organização da representação, o que é normal: quem é que vai estar representado, quem é que vai eleger ou ser eleito, como é que vai ser exercido o poder. Isso é normal e é relevante. Porém, esta lei traz subjacente uma alteração de fundo que, a meu ver, necessita de novos protagonistas ou pelo menos abre caminho a que novos protagonistas a executem com mais sucesso. Hoje, se marcarem uma reunião com o presidente do Conselho Regulador da Rioja, que vai mais adiantado do que nós neste processo, a resposta que terão do lado de lá é: ´Mas quer falar com o Presidente do Conselho ou com o Presidente da Certificação?´, porque as duas funções estão completamente separadas, de tal modo que o responsável da certificação não responde perante o responsável do Conselho Regulador. A evolução legislativa que veio desde a lei 8/85 até ao novo decreto-lei 61-2020 vai precisamente neste sentido. As funções de gestão da Denominação de Origem e de certificação estarão cada vez mais separadas, isto terá efeitos na atividade do conselho e na estrutura interna da casa”, explicou.
Manuel Pinheiro recordou ainda a importância de ficar definida uma estratégia de valorização do Vinho Verde para os próximos anos.
“Este conselho e a região precisam definir um rumo. Ou mantemos a estratégia atual, procurando valorizar toda a Denominação, ou estratificamos o Vinho Verde no que diz respeito à promoção em vários segmentos e, no caso de decidirmos estratificar, que segmentos são esses. Será o Vinho Verde normal e um Vinho Verde superior, passe aqui o nome, ou será o Vinho Verde normal e as sub-regiões ou serão as castas ou será outra coisa qualquer. Este é um passo de gigante na estratégia de promoção da região, carece articulação com os produtores, seja quanto às respetivas comunicações seja quanto às gamas. É um rumo que precisa de ter por base um acordo interprofissional e tem de ser posto em prática com pulso firme durante os próximos anos”, garantiu.
O ainda presidente da CVRVV recordou, no anúncio da saída, o projeto de enoturismo previsto para o Palacete Silva Monteiro, já acordado com o Município do Porto, na rua da Restauração, e avançou que a nova direção contará “um fundo social de quase cinco milhões de euros e um superavit estrutural”.
Aos 55 anos, Manuel Pinheiro deixa o futuro profissional em aberto.