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Lavinia abre online em Portugal

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Fotógrafo: Fotos D.R.

Autor: José João Santos

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Descrição da notícia

É um presente no sapatinho de Natal dos colecionadores de vinho e dos consumidores que procuram escapar ao mainstream. A Lavinia acaba de abrir loja online em Portugal, prepara um primeiro evento presencial para janeiro de 2023 e admite um espaço físico no país se a operação decorrer a bom ritmo nos próximos dois anos.

 

Thierry Servant, empresário francês residente em Espanha com historial ligado ao mercado de luxo e que tinha nos vinhos uma paixão, iniciou a Lavinia em parceria com Pascal Chevrot, outro devoto da área. Estávamos em 1999 e a loja física, generoso espaço de 1.000m2 no número 16 da rua José Ortega e Gasset, zona nobre de Madrid, rapidamente fidelizou clientes e conquistou a crítica especializada, a espanhola e a internacional O negócio prosperou e estendeu-se a outras geografias. Atualmente gerida por Charlotte Servant e Mathieu Le Priol, a Lavinia tem lojas físicas também em Paris e Genebra. A observação atenta do negócio do vinho fez com que avançassem também com uma distribuidora em Espanha, que apenas trabalha o canal Horeca (hotelaria e restauração), e que abrissem lojas online no país vizinho, na França e na Suíça.


A Revista de Vinhos esteve à conversa com Juan Manuel Bellver, ex-jornalista e diretor da Lavnia Espanha desde 2014, e Carlota Losada Yuste, diretora de comunicação e marketing online.
Garantem que o sucesso e consequente reconhecimento do projeto deve-se a três fatores. Desde logo, a compra direta aos produtores e o facto de terem armazéns e lojas climatizadas. “Trata-se de garantir a origem e a conservação do produto. Parece uma coisa básica, mas a maioria das lojas de vinho apresenta as garrafas, por exemplo, na vertical”, observa Juan.


A atenção no atendimento ao cliente é garantida através de uma equipa de aconselhamento e serviço exclusivamente constituída por sommeliers e enólogos. “Promovemos 70 a 80 ações de formação anuais, muitas delas com a participação ativa dos produtores, para que a equipa esteja a par das tendências. São formações em horário laboral, ou seja, estamos a pagar-lhes para se formarem”, sublinha. 
Em terceiro lugar, a seleção de vinhos, que nas lojas físicas atinge as quase 4.000 referências e que no online permite escolher por entre 2.500 rereferências de 20 países. “Desde início quisemos combinar referências icónicas e de luxo com os pequenos produtores”, nota Juan.


Alguns dos sommeliers que já trabalharam na Lavinia transformaram-se, entretanto, em estrelas do setor,  oficiando posteriormente em restaurantes três estrelas Michelin ou mesmo montando os negócios próprios em diferentes zonas de Espanha. 
É fácil constatar uma linha de entendimento nas opções dos vinhos. No caso das lojas online, o design simplificado, quase minimalista e de cores neutras, parece sublinhar o perfil do projeto. Limpeza, destaque ao produto, ordem e foco nas imagens, são as tendências de e-commerce que identificaram.
“O produto tem que ser o protagonista e, logo a seguir, a informação do produto”, explica Carlota, para quem “o cliente tem hoje maior experiência de compra no online, está hoje mais exigente”. Por isso, sempre que possível procuram inserir conteúdos diversificados, educacionais e sobre harmonizações, relacionados com o vinho, de modo a potenciar a experiência de quem está a comprar.


Tendências em Espanha e objetivos para Portugal


A aquisição de vinhos online sofreu significativas alterações à medida dos períodos de confinamento obrigatório nos diferentes países na sequência dos surtos de Covid-19.
A Lavinia detetou que o consumo ficou mais focado nos nomes conhecidos, “como se as pessoas não quisessem experimentalismos”. Depois do Covid “regressou a vontade de experimentação de novidades, a descoberta de novos produtores e de castas raras, o interesse pelo local, pelos pequenos produtores, pelo biodinâmico, por coisas mais naturais”, observam.

Questionado sobre as tendências do momento no mercado espanhol, Juan Manuel Bellver identifica com facilidade as principais.
“Os tintos atlânticos da Galiza, os Mencía de Bierzo. Depois, os vinhos das ilhas Canárias, os vinhos laranja de maceração pelicular, os Crianza de vinificação em tinajas de barro, os vinhos em flor de Montilla. Por outro lado, o super êxito mundial da Borgonha está a levar os consumidores a regiões de preços mais acessíveis, como Jura ou apelações de Beaujolais, como Fleurie. Acreditamos também que haverá em breve um boom de Piemonte, na Itália, e quanto a Champagne esgota-se sempre rapidamente”, indica.

A extensão da operação online a Portugal, com uma loja dedicada ao nosso país, surgiu com naturalidade. 
“Somos uma espécie de embaixada dos vinhos portugueses em Espanha”, alerta Juan. “Os custos de transporte e o tempo de entrega em Portugal são muito similares em Portugal”, completa Carlota. “Demoramos o mesmo tempo a entregar um vinho em Lisboa ou em Barcelona”, exemplifica Juan. “O consumidor português tem um potencial enorme, o consumo per capita é maior do que em Espanha, embora o ticket médio seja menor. O português é mais exigente e frequenta mais eventos, o consumo das gerações mais jovens é também superior, o consumo feminino tem maior peso do que em Espanha”, nota Carlota Losada Yuste.

No imediato não haverá loja física, mas isso não está descartado. Se a operação correr bem nos próximos dois anos, sim, essa possibilidade poderá ser real. Online, contam terminar 2023 com cerca de 30 produtores portugueses no cardápio, estando desde logo assegurados nomes como Adega do Vulcão, António Madeira, Barbeito, Giz, Hamilton Reis, João Tavares de Pina, Quinta da Carolina, Quinta de Santiago, Niepoort, Ramilo Wines, Vale da Capucha ou Vitor Claro.
Em janeiro avançarão com o primeiro evento de vinhos em Portugal, em Lisboa, que incluirá provas que representem a diversidade da Lavinia e a presença de alguns produtores nacionais. Será um primeiro evento reservado a imprensa e a convidados, sendo que quando tiverem sócios do clube de vinhos em número suficiente em Portugal também os convidarão. A cidade do Porto igualmente acolherá evento similar durante o próximo ano.
“Portugal modernizou-se muito, com reflexos até na quantidade de restaurantes estrela Michelin. É um mercado que para nós é natural”, reflete Juan Manuel Bellver, ele que possui uma segunda casa em Lisboa.


Curiosidades

  • O volume de negócios anual da Lavinia ronda os 26 milhões de euros.
  • Lavinia conta cerca de 60 funcionários.
  • A Lavinia Ortega Y Gasset possui também um wine bar, por diferentes ocasiões premiado pela Wine Spectator.
  • Ainda em Madrid, Lavinia possui loja física no Centro Comercial Moraleja Green, em Alcobendas, e vários corners nos aeroportos de Madrid, Barcelona, Málaga, Alicante, Bilbao e Santiago e Compostela.
  • Depois da abertura da loja online em Portugal, Lavinia abriu nova loja física, desta vez no bairro residencial La Finca, o mesmo onde Cristiano Ronaldo viveu quando alinhava no Real Madrid.