Noticias

Desejos de Ano Novo para o vinho português

/storage/

Fotógrafo: Arquivo

Autor: Manuel Pinheiro

Share:

Descrição da notícia

Texto de opinião do atual chairman da Global Wines e ex-presidente da CVRVV.


A inflação
O rápido controlo da inflação. É certo que o controlo da inflação por várias medidas, das quais se destaca o aumento da taxa de juro, vai arrefecer a economia, ou até mesmo provocar alguma recessão. Importa que esta correcção seja rápida, para que possamos voltar a crescer já em 2024. O efeito que a inflação ou escassez das matérias-primas (vidro, cartão, fitofármacos, energia) está a ter num sector que não consegue repercutir este acréscimo no preço final é tremendo.

A guerra
O fim da guerra e a reposição das relações comerciais com a Rússia. Não temos grande expectativa de que a primeira ou a segunda ocorram já. A guerra acarreta um sacrifício humano incomensurável e está a ser um problema sério em todo o contexto dos negócios.

Anti-álcool
A moderação dos lóbis anti-álcool. Nas últimas semanas soubemos pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) que o número de overdoses está a aumentar em Portugal. Porém, o mesmo SICAD continua a atacar o consumo do vinho. Os elevados valores do consumo de vinho em Portugal devem-se à presença massiva do turismo (bem-vindo) e não a um elevado consumo das famílias portuguesas. Saibamos perceber o vinho como produto de cultura. Saibam também os clientes fazê-lo, consumindo com moderação.

Não mais COVID
A característica nº1 do vinho é ser um produto convivial. Agrega as pessoas em seu redor. As medidas de combate à Covid-19 - como o encerramento de bares e restaurantes ou o cancelamento de eventos - impediram que nos juntássemos com amigos em redor de um bom vinho.

Modernização do Estado
O Estado é relevante no nosso sector. Instituições como o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) e os Institutos Regionais no Vinho do Porto, Madeira e Açores têm de ser exemplos de inovação, gestão eficaz e abertura ao sector que servem. Nos dois primeiros casos, os orçamentos são suportados exclusivamente pelos produtores e têm de ser integralmente reinvestidos no sector. O IVV é tido como uma “escola de quadros” dentro da Administração.  Num cenário em que o Ministério da Agricultura está a perder ferramentas, o IVV tem de se afirmar no sentido oposto.

Promoção
A Viniportugal, entidade que agrega o sector e é responsável pela promoção externa do Portugal vinícola é um projecto de sucesso, alvo de estudo em Portugal e fora. Importa que o sector continue a investir na promoção. A articulação IVV-Viniportugal-CVR’s-empresas nunca está atingida, pois precisa de ser trabalhada em contínuo. Os resultados continuarão a aparecer. Possivelmente, não será em 2023, mas os mil milhões de exportação de vinho que ambicionamos, em breve, serão fasquia do passado. 

Enoturismo
O enoturismo é uma realidade em Portugal. Tem uma capacidade fabulosa de desenvolvimento harmonioso do país, de fidelização do consumidor e é, por natureza, um sector exportador. Precisamos que se continue a desenvolver, que marque um rumo de valorização e que seja, mesmo nas regiões mais despovoadas, o catalisador do desenvolvimento.