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O rendimento estipulado para próxima vindima de Champagne será de 11.400 kg/ha. Depois da tradicional reunião que junta os viticultores e as principais casas de Champagne, no seio do Comité Champagne, foi fixada uma produção comercializável que visa “melhorar os rendimentos desta demarcação”, depois da quebra de 26% verificada nos últimos dois anos, cujas causas ficaram a dever-se, sobretudo, a episódios meteorológicos extremos e ao envelhecimento das vinhas, entre outros aspetos.
Até a data, segundo informação do Comité Champagne, o estado sanitário das vinhas apresenta-se são e uniforme. A campanha tem decorrido com tranquilidade, com reduzidos danos, causados, sobretudo, por geadas (1,5% da vinha) e granizo (0,3%), enquanto que doenças criptogâmicas, como míldio e oídio, não provocaram danos de monta. A reposição dos níveis de água do solo é a principal preocupação dos produtores. Os cachos apresentam boa qualidade e a colheita, que aparenta ser promissora, deve começar nos primeiros dez dias de setembro, estima a mesma entidade.
Perante o défice de existências, “decidiu-se aproveitar ao máximo os anos bons, para melhorar ainda mais a capacidade de resiliência do setor”, explicou o Comité Champagne. Na última campanha, a região colocou em marcha um sistema de “libertação diferida de existências”, como assinalou Maxime Toubart, presidente da associação de viticultores, “e este ano aumentou-se o limite máximo da reserva, que passa para 10.000 kg/ha em lugar dos 8.000 kg/ha definidos até agora”.
Assim, os viticultores reservam as boas colheitas, com “o objetivo de dotar-se dos meios necessários para atingir o rendimento comercializado definido pela interprofissional para o ano, de forma a garantir o equilíbrio do mercado”.
A comercialização de Champagne no primeiro semestre de 2023 ascendeu a 125,8 milhões de garrafas, menos 4,7% do que no mesmo período de 2022. As exportações, com 77,7 milhões de garrafas, decaíram 3,7%, sendo que França regista uma descida de 6,3%, com 48,1 milhões de garrafas. Estes resultados devem ser lidos, assinala o Comité Champagne, no contexto de um 2022 extraordinário (período em que as vendas cresceram 14%).
O preço pago pelas uvas em Champagne disparou 60% nos últimos 15 anos, sendo que, na última campanha, estes rondavam 7,70 euros/kg., chegando aos 8,10 euros/kg. para Grand Cru. “Para determinar o rendimento comercializado do ano, os viticultores e as maisons acordaram previsões de vendas para os próximos quatro anos, que têm em conta tanto a nossa confiança na denominação, como uma certa prudência respeitante à situação económica mundial e aos efeitos da inflação”, declarou David Chatillon, presidente das ‘Maisons’. O Comité antecipa o fecho do exercício de 2023 com uma comercialização de 314 milhões de garrafas, sendo que, em 2022, as vendas cifraram-se em 326 milhões de garrafas, num aumento de 1,6% face ao ano anterior. O volume de negócios ascendeu a seis mil milhões de euros.