Autor: Nuno Guedes Vaz Pires
OPINIÃO
Pouco importará ao telespectador não saber que castas foram usadas na elaboração de cada um dos vinhos, mais importante é ficar a saber que Portugal tem um património de castas inigualável. Também não acredito que esteja preocupado com a proporcionalidade de nacionalidades dos produtores, pois todos são Portugal. Ficarão os espetadores desapontados por não verem sequências de vinhas e adegas? Não me parece, pois não foi isso que conquistou cada um dos 86 milhões de espetadores que seguiram a segunda temporada e que se esperam atingir com esta nova temporada.
O que cada espetador procura na série é evasão, conhecer de forma lúdica, criar memórias, descobrir novos destinos e vinhos. Ora, nisto, a série é exemplar. Quem esquecerá James Purefoy, o protagonista de Marco António em "Roma", emocionado ao beber um vinho num montado alentejano? Ou, Dominic West, o galã do "The Affair", tingido de vinho num lagar no Douro? Ou ainda Mathew Goode, protagonista no "The Crown" ou "Downton Abbey", descontraído numa tarde de verão a provar um branco da região dos Vinhos Verdes depois de cumprir uma promessa? Quem não quererá experimentar um vinho da Bairrada depois de ver a dupla Goode/Purefoy na cozinha a esmagar dentes de alho e a brindar num moliceiro com espumante da Bairrada? Quem não verá o Vinho do Porto de forma mais leve, após o ver num piquenique ou de imaginar a sua história enquanto esta mesma dupla valsa numa sala da Feitoria Inglesa?
Esta foi a floresta que a Revista de Vinhos e demais parceiros viram no "The Wine Show".
Num outro capítulo, retomo "Os Melhores do Ano". Perante a impossibilidade de promovermos o jantar e entrega de prémios no jantar de gala que reúne cerca de um milhar de convidados decidimos transpor para o digital o sublinhar de projetos e protagonistas. O impacto foi muito mais longe que o inicialmente previsto. Para além da adrenalina e motivação extra sentida pela equipa, o gosto de ver o trabalho recompensado e o mérito reconhecido com um retorno que consideramos excelente, expresso nas 218.000 visualizações da cerimónia nas redes sociais da Revista de Vinhos, nos 60 minutos de rádio e televisão e nas dezenas de notícias difundidas em meios de comunicação em Portugal e no Brasil. Nos últimos quatro anos transformamos “Os Melhores do Ano”, cumprida a 24ª edição, numa cerimónia com a contemporaneidade e o impacto que o setor merece.
Mesmo perante um ano virado do avesso pela incerteza e limitações, inovamos e crescemos, mostramos dinamismo, resiliência e muita criatividade. E novos projetos em breve serão anunciados.
Sim, gostamos de ver a floresta quando alguns apenas vislumbram a árvore. E, mais importante ainda, não nos tentamos a ficar perdidos na floresta.